As diferenças em posições doutrinárias do Papa Francisco e seus antecessores – Como distinguir as opiniões pessoais e magisteriais e como seguir ou negar o que não está conforme o SAGRADO MAGISTÉRIO ?



Sandro Magister é um jornalista de leitura obrigatória quando se trata de Vaticano.

Bom, eu concordo plenamente com o relato de Magister.  E destaco dois termos que ele usou: telecracia e demoscopia. 

Telecracia é o poder da mídia que subsuttui a democracia e demoscopia é o poder das pesquisas de opinião que substituem os princípios.

Ao que parece Magister quer sugerir que Francisco deixou-se dominar pela telecracia da demoscopia. 

*GRIFOS DO AUTOR DO BLOG BERAKASH: Não podemos confundir opiniões pessoais dos Papas (Que estão sujeitas a erros e revisões) com o Magistério da Igreja.E entre a opinião pessoal e magisterial, optemos pelo magistério infalível da Igreja.




Não tenho tempo para traduzir todo o texto de Magister, mas aqui vão alguns pontos relevantes:

1)-Ele diz que quatro momentos revelam Francisco e suas diferenças com os antecessores:



a)-A entrevista do papa Jorge Mario Bergoglio para “La Civiltà Cattolica”,

b)-A sua carta em resposta às perguntas dirigidas a ele publicamente por Eugenio Scalfari, o fundador do jornal secular jornal italiano “La Repubblica”,

c)-A sua subseqüente conversa-entrevista com Scalfari,

d)- E outra carta em resposta a outro campeão do ateísmo militante, o matemático Piergiorgio Odifreddi, esta última escrita não pelo atual papa, mas por Bento XVI.


2)-Sobre aborto e casamento gay:



Houve, no entanto, em Karol Wojtyla, Joseph Ratzinger, e pastores como Ruini ou nos Estados Unidos, os cardeais Francis George e Timothy Dolan “a intuição de que a proclamação do Evangelho de hoje não poderia ser separada de uma interpretação crítica do avanço da nova visão do homem, em contraste radical com o homem criado por Deus à sua imagem e semelhança, e de uma ação conseqüente da liderança pastoral.”

E é aqui que o papa Francisco se distancia:


Ele mostra-se convencido de que “é mais vantajoso responder aos desafios do presente com o simples anúncio da misericórdia de Deus, daquele Deus que “faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre os justos e sobre o injusto “.


3)-Sobre a consciência como guia do certo e errado:


Tendo recebido e publicado a carta de resposta do Bergoglio, Scalfari disse satisfeito:”Uma abertura para a cultura moderna e secular desta amplitude , uma visão tão profunda entre a consciência e a sua autonomia, nunca foi ouvida da cadeira de São Pedro “.Ao afirmar isso, Scalfari estava se referindo, em particular, ao que o Papa Francisco tinha escrito para ele sobre o “primado da consciência.”


E alguns leitores atentos se perguntaram como uma definição tão subjetiva de consciência, em que o indivíduo aparece como o único critério de decisão , pode ser conciliado com a idéia de consciência como a jornada do homem em direção à verdade , uma idéia desenvolvida por séculos de teologia e reflexão, de Agostinho a Newman, e com a força ministerial reiterada por Bento XVI.Mas na conversa posterior com Scalfari , o papa Francisco foi ainda mais drástico na redução da consciência a um ato meramente subjetivo e pessoal:


“Cada um de nós tem sua própria visão do bem e do mal e deve optar por seguir o bom e para lutar contra o mal, como ele entende. Isso seria o suficiente para mudar o mundo. “


Não é de estranhar, portanto, que o ateu Scalfari escreveu que ele  concorda plenamente com as palavras de Bergoglio sobre consciência.


4)-Sobre o  proseletismo:


“Nosso objetivo não é o proselitismo , mas de ouvir as necessidades , os desejos, as decepções, o desespero , a esperança . Devemos trazer a esperança de volta para os jovens, ajudar o velho , se abrir para o futuro, fazer o amor se espalhar. Devemos incluir os excluídos e pregar a paz . O Vaticano II, inspirado pelo Papa João XXIII e Paulo VI , decidiu olhar para o futuro com um espírito moderno e abrir-se a cultura moderna. Os Padres conciliares sabiam que a abertura à cultura moderna significava o ecumenismo religioso e diálogo com os não crentes . Depois disso, muito pouco foi feito nessa direção;tenho a humildade e a ambição de querer fazê-lo .”


Não há nada neste programa do pontificado de Francisco que poderiam vir a ser inaceitável para a opinião secular dominante:



No seu julgamento de que João Paulo II e Bento XVI fizeram ” muito pouco ” na abertura ao espírito moderno está em linha com esta opinião . O segredo da popularidade de Francisco está na generosidade com a qual ele admite que as expectativas de “cultura moderna” e na astúcia com que ele evita o que poderia tornar-se um sinal de contradição.


Neste ponto ele decisivamente distancia-se de seus antecessores , inclusive de Paulo VI. 
Há uma passagem na homilia que o então arcebispo de Munique, Ratzinger pronunciou por ocasião da morte do Papa Giovanni Battista Montini , em 10 de agosto de 1978, o que é extremamente esclarecedor , em parte por conta de sua referência “à consciência que é medida pela verdade “:


Paulo VI resistiu à telecracia e à demoscopia, os dois poderes ditatoriais do presente(Sua encíclica Humanae Vitae, lançada em plena revolução sexual é sua testemunha ocular).



“Ele foi capaz de fazê-lo , porque ele não considerou o sucesso e aprovação como parâmetro, mas sim a consciência , que é medida pela verdade, e pela fé é por isso que em muitas ocasiões que ele buscava acordos, deixava a fé aberta…e é por isso também que ele foi capaz de ser inflexível e decisivo quando o que estava em jogo era a tradição essencial da Igreja, nele esta resistência não derivam da falta de sensibilidade de alguém cuja jornada é ditada pelo prazer de poder e pelo desprezo pelas pessoas, mas a partir da profundidade da fé , que o fez capaz de suportar a oposição”.


5)-O texto de Magister destaca a grande diferença na hora de lidar com os ateus entre Bento XVI e Francisco, explícitas nas duas cartas que eles fizeram aos ateus:
O Papa Bento XVI é mais incisivo na defesa da fé cristã e da Doutrina. 


Eu mostrei todas as cartas aqui no blog. Clique aqui para a de Francisco e aqui para a de Bento XVI.
6)- A carta é finalizada com a atitude de Francisco em limitar a adoção da rito antigo da liturgia entre os Frades Franciscanos:
Magister diz que o Bsnto XVI teria dito aos próximos que a ação de Francisco foi um “vulnus” (ferida) no “Summorum Pontificum.” que ele definiu em 2007.

Leiam todo o texto de Magister, é muito bom e revelador, apesar. de que muita gente, inclusive eu, já ter dito mais ou menos o que ele diz, mas o texto dele chega muito mais longe.

Em qual Concílio anterior a TRENTO em 1545 a Igreja Católica definiu o ATUAL CÂNON BÍBLICO ?



O Cânone Bíblico designa o inventário ou lista de escritos ou livros considerados pela Igreja Católica e aceita pelas demais Igrejas Cristãs, como tendo evidências de Inspiração Divina.
Cânone, em hebraico é qenéh e no grego kanóni, têm o significado de “régua” ou “cana [de medir]”, no sentido de um catálogo.
A formação do cânone bíblico tanto do ANTIGO como NOVO TESTAMENTO se deu gradualmente:
Foi formado num período aproximado de 1 500 anos. Os cristãos protestantes acreditam que o último livro do Antigo Testamento foi escrito pelo profeta Malaquias. Para os católicos e ortodoxos foi o Eclesiástico ou Sabedoria de Sirácida.
O profeta Moisés começou a escrever os primeiros cinco livros canónicos (ou Pentateuco) cerca de 1491 a.C
De acordo com a Bíblia, Deus mandou que se escrevesse o registo da Batalha de Refidim.(Êxodo 17:14). Depois vieram os Dez Mandamentos (34:1,27,28).
Recapitulação dos acontecimentos é feita em Deuteronómio9:9-17 10:1-5. São também referidos escritos ou livros anteriores como consultados, para além da tradição oral transmitida de geração em geração.

Segundo a literatura judaica, Esdras, na qualidade de escriba e sacerdote, presidiu um conselho formado por 120 membros chamado Grande Sinagoga que teria selecionado e preservado os rolos sagrados.
Alguns acreditam que naquele tempo o Cânone das Escrituras do Antigo Testamento foi fixado (Esdras 7:10,14). Entretanto esta tese é desacreditada pela crítica moderna.
Os estudiosos concordam que foi essa mesma entidade que reorganizou a vida religiosa nacional dos repatriados e, mais tarde, deu origem ao Supremo Tribunal Judaico, denominado Sinédrio.
Curiosamente os Saduceus e os Samaritanos só aceitavam como canônicos os cinco livros de Moisés.
Por esta razão, os especialistas especulam que Esdras tenha reunido apenas o Pentateuco, isto é, os cinco livros de Moisés.
Antes mesmo de Deus ter ordenado a Moisés que escrevesse, pela primeira vez, um memorial a respeito da vitória de seu povo sobre os amalequitas, a Palavra de Deus já circulava entre os homens sob o método da transmissão oral:
“Escuta-me, mostrar-te-ei; e o que tenho visto te contarei; o que os sábios anunciaram, ouvindo-o de seus pais, e o não ocultaram …”. (Jó 15:17,18)
Os Evangelhos registraram várias citações de Jesus do Antigo Testamento, comentando sobre o Gênesis, Deuteronômio, Números, I Samuel, Salmos, Malaquias, Daniel, reconhecendo-os como a Palavra de Deus (Mateus 12:3; 19:4; 22:37-40).
Para se conferir a confiança que os escritores do Novo Testamento tinham do Antigo, basta conferir as centenas de citações da Lei, dos profetas e outros escritos.
Acredita-se que começando por Moisés, à proporção que os livros iam sendo escritos, eram postos no Tabernáculo, junto ao grupo de livros sagrados.
Especula-se que tivesse sido Esdras quem reuniu os diversos livros e os catalogou, desse modo estabelecendo a coleção de livros inspirados por Deus. Desses originais, os copistas ou escribas fizeram cópias para uso das sinagogas largamente disseminadas. Porém a crítica não aceita a tese de que livros posteriores ao tempo do profeta figuram na Bíblia Hebraica, como é o caso do Livro de Daniel. Segundo especialistas, isso explicaria porque o Livro de Daniel não figura entre os escritos proféticos, mas nos hagiógrafos.
O prólogo da versão grega do Eclesiástico, datado em 130 a.C parece já confirmar a suspeita dos estudiosos modernos.
Com efeito nele lemos: “Pela Lei, pelos Profetas e por outros escritores que os sucederam, recebemos inúmeros ensinamentos importantes (…) Foi assim que após entregar-se particularmente ao estudo atento da Lei, dos Profetas e dos outros Escritos, transmitidos por nossos antepassados […]”.
Nota-se que o cânon indicado neste escrito considera canônicos livros posteriores ao tempo dos profetas.
As descobertas do Mar Morto e Massada mostram que entre os antigos judeus ainda não havia um cânon bíblico fixo ou instituído, que só veio depois do século I a criar corpo, e mesmo assim com muitas divergências.
Alguns dizem que o Cânone Hebraico de 39 livros, só foi realmente fixado no Concílio de Jâmnia em 100, embora nesse mesmo concílio livros como o de Ester, Daniel, Cântico dos Cânticos, ficaram de fora do cânon, que só veio a ser fixado mesmo no século IV.
Estudiosos como Leonard Rost garantem que tais decisões demoraram muito para serem aceitas e até hoje não tiveram aceitação em muitas comunidades judaicas; como o caso dos judeus do Egito, quem tem um cânon semelhante ao Católico e Ortodoxo.
O Concílio de Jâmnia rejeitou todos os livros e demais escritos e considerando-os como apócrifos, ou seja, não tendo evidências de inspiração por Deus e fonte de fé, tanto quanto da verdadeira autoria.
Houve muitos debates acerca da aprovação de certos livros, como Ester e Cântico dos Cânticos, conforme registro da Mishná.
A tese de que o trabalho desse Concílio foi apenas ratificar aquilo que já era aceito pela grande maioria dos judeus através dos séculos, carece de fundamento científico e é rejeitada pela majoritariamente pelos especialistas.
Até os primeiros quatro séculos, na igreja antiga, não havia um parecer oficial sobre o Cânon do AT:
As opiniões eram muito diversas.Pais da Igreja como Melito, Cipriano e Rufino de Aquileia postulavam pelo Cânon Hebraico (com 39 livros, excluindo os deuterocanônicos).
Já Ireneu, São Justino e Santo Agostinho defendiam o Cânon Alexandrino (com 46 livros, incluindo os Deuterocanônicos).
Jerônimo começou negando a canonicidade dos Deuterocanônicos, embora os tenha incluindo em sua Vulgata. Escritos seus posteriores mostram que esta sua posição inicial foi revista, é o que se verifica em sua Carta a Rufino e outra a Paulino, Bispo de Nola.
No final do século IV, Concílios Ecumênicos reafirmaram o Cânon Alexandrino.
1)- É o caso dos Concílios de Roma (382 d.C, dando origem ao Cânon Damaseno), Hipona I (cânon 36, 393 d.C),
2)- Cartago III (cânon 47, 397 d.C),
3)- Cartago IV (cânon 24, 417 d.C)
4)- e Trullo (cânon 2, 692).
5)- Concílio de Hipona

O Concílio de Hipona, também conhecido como Sínodo de Hipona Regia, foi um concílio regional africano da Igreja Católica, realizado em 393, no qual foi estabelecido o Cânon bíblico.
Santo Agostinho, líder do Concílio – Hipona (hoje Annaba) foi uma antiga cidade situada onde hoje se encontra o território da Argélia. No outono de 393, os bispos do Norte da África foram convocados à sede do episcopado, sob a liderança do bispo local, Valério, do Primaz de Cartago, Aurélio, e do então presbítero Agostinho, que assumiria o bispado três anos depois.
Visando reconquistar a unidade da Igreja – que aconteceria posteriormente graças ao carisma apologético de Agostinho1 – Santo Aurélio de Cartago cordialmente estendeu o convite e acolheu também aos bispos donatistas2 que, por estarem vinculados ao Antipapa Ursino, incorriam em cisma. O fato é que mais da metade dos bispos dessa região pertencia ao movimento donatista3 .
O Papa Sirício, embora diligente na administração da Igreja, não participou deste sínodo regional. No entanto, as deliberações finais foram expressamente submetidas a ele, nestes termos: «Ad confirmationem huius canonis, Ecclesia trans mare consultatur» («Sobre a confirmação deste cânon, se consultará a Igreja do outro lado do mar», ou seja, Roma).
Sob seu pontificado e ainda sobre a confirmação da lista dos livros inspirados, foram realizados outros dois sínodos regionais, um em 394 e outro em 397. O Papa Sirício, por sua vez, deu particular atenção à observância do cânon pelo clero e pelo laicato.
As questões doutrinárias
O Concílio discutiu e reafirmou a origem apostólica do celibato clerical4 , definindo-o como um requisito para todos os ordenados.
No entanto, os bispos foram convocados sobretudo a fim de discutir e deliberar sobre a lista oficial dos livros que deveriam ser considerados como de divina inspiração e que, portanto, deveriam compor a Bíblia e ser proclamados no culto nas comunidades.
A motivação nascia das dúvidas geradas no Século III sobre o emprego, pelos cristãos, dos livros assim chamados deuterocanônicos. As causas originavam-se das discussões com os judeus que, depois do Concílio de Jamnia – sínodo judaico realizado no início do Século II que, entre outras coisas, estabeleceu um cânon próprio – rejeitavam a canonicidade destes livros e de trechos de Ester, Cântico dos Cânticos e Daniel.
Alguns Padres da Igreja, por sua vez, também relataram tais questionamentos em seus escritos, como, por exemplo, Atanásio de Alexandria (373), Cirilo de Jerusalém (386), e Gregório de Nazianzo (389); ao passo que outros mantiveram-nos como inspirados, como, por exemplo, Basílio de Cesareia (379), Agostinho de Hipona (430), Jerônimo de Estridão (420) e Leão I (461).
As discussões do Concílio se concentraram, todavia, sobre uma lista que já havia sido proposta no Sínodo de Laodiceia, em 363, e pelo Papa Dâmaso I, em 382.
O Summarium do Concílio
Ainda que os originais do documento conciliar tenham se perdido, seu Summarium foi transcrito e devidamente aprovado no Concílio de Cartago, nestes termos:
“Cânon XXXVI: Além das Escrituras Canônicas, nada deve ser lido sobre o título de Divinas Escrituras. E as Escrituras Canônicas são:
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, os quatro Livros dos Reis, os dois Livros do Paralipômenos, Jó, o Saltério de Davi, os cinco Livros de Salomão (Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Sirácida), os doze Livros dos Profetas (menores: Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias), Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, os dois Livros de Esdras (Neemias e Esdras) e dois Livros dos Macabeus.
E do Novo Testamento:
quatro Livros dos Evangelhos, um Atos dos Apóstolos, treze Epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.
Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar. A leitura da Paixão dos Mártires será permitida na celebração de seus respectivos aniversários.      ”
Hipona, 8 de outubro de 393,
A Vulgata, versão latina da Bíblia, composta à época do Concílio por São Jerônimo, a partir da Septuaginta.

A Bíblia cristã, portanto, possuía 71 livros (ou 73, se, ao contrário da Septuaginta, contarmos Jeremias, Lamentações e Baruc distintamente): 44 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. O Cânon definido pelo Concílio de Hipona é adotado pela Igreja Católica também atualmente5 .
A Igreja Ortodoxa o aceita6 , acrescentando-lhe outros textos, como III Macabeus, IV Macabeus, Odes de Salomão, Prece de Manassés, Saltério de Salomão, além do Salmo 151: prática também adotada pela Igreja Anglicana, não obstante rejeitar o Salmo 151.


Mesmo que Martim Lutero tenha traduzido e publicado na sua célebre versão alemã da Bíblia todos os livros cânon hipônico7 , os Protestantes adotam as decisões deste Concílio apenas no que tange à definição do Cânon para o Novo Testamento, excluindo os deuterocanônicos, considerados por eles como apócrifos no Antigo Testamento, conforme os judeus a partir do Concílio de Jamnia.
Seja como for, o Cânon estabelecido por este sínodo foi posteriormente confirmado pelo III Concílio de Cartago8 , em 397, e reafirmado em 1441 pela resolução Decretum pro Iacobitis9 , do Concílio de Florença e, finalmente, em 1546, por meio do decreto De Canonicis Scripturis10 , do Concílio de Trento.
6)- Um documento conhecido como Decreto Gelasiano (496 d.C) também opta pelo Cânon Alexandrino.
As Igreja Orientais também fizeram sua opção pelo Cânon Alexandrino, adotando a Septuaginta como a versão oficial do AT.
Desta forma, depois do século IV, o Cânon Alexandrino havia obtido aceitação ampla em toda Igreja: no Ocidente com as versões daVetus Latina e a Vulgata. e no Oriente com a Septuaginta.
Novas controvérsias sobre o Cânon do AT:
No início do século XV, um grupo dissidente da Igreja Copta (de crença monofisista), conhecidos como “jacobitas”, questionou o Cânon Alexandrino entre outras coisas.
Em 1441, O Concílio Ecumênico de Florença, através da Bula Cantate Domino (4 de fevereiro de 1442) reafirma o caráter canônico do Cânon Alexandrino.
Com a Reforma Protestante, Lutero volta a questionar o caráter canônico dos Deuterocanônicos do Antigo e trechos e livros Novo Testamento como a carta de Tiago – II Pedro – II João – III João – Judas – Apocalipse de João, negando inclusive seu caráter eclesiástico, pois para ele estes livros eram contrários à Fé.
Em 1545, é convocado o Concílio de Trento, que novamente reafirma o caráter canônico do Cânon Alexandrino.
No início não houve consenso entre os Protestantes sobre o Cânon do AT e do NT. O rei Jaime I da Inglaterra, responsável pela famosa tradução KJV (King James Version), defendia que os Deuterocanônicos deveriam continuar constando nas Bíblias Protestantes.
Logo depois a Igreja Ortodoxa Russa resolve deixar como facultativa a aceitação ou não do Cânon Alexandrino.
Cânone do Novo Testamento
Segundo a Fé Cristã, Jesus foi o redentor de quem o Antigo Testamento deu testemunho. Neste contexto, suas palavras não podiam ter menos autoridade do que a Lei e os Profetas.
Convencidos disto, os cristãos as repetiam sempre. Em momentos oportunos os Apóstolos e os Evangelistas colocaram parte dela na forma escrita, o que se tornou o núcleo do cânone definido pela Igreja nos primeiros séculos.
Segundo o historiador da Igreja Primitiva, o Bispo Eusébio de Cesareia (século IV), os apóstolos e os evangelistas nunca tiveram em mente deixar qualquer coisa por escrito (note que a grande maioria dos apóstolos nada escreveu), quando o fizeram foram forçados por situações especiais, como a impossibilidade de se encontrar com alguma comunidade, por exemplo1 .
Como no Antigo Testamento, homens inspirados por Deus escreveram aos poucos os livros que compõem o Cânone do Novo Testamento.
No ano 100, todos os 27 livros canônicos do Novo Testamento estavam escritos, porém não havia ainda uma lista autorizada de livros para o NT. Assim como o cânon do AT, o cânon do NT levou muitos séculos para ser fixado.
Em nenhum escrito do NT consta uma lista autorizada dos livros que devem ser considerados sagrados. Somente em II Pedro 3:15-16, o Apóstolo Pedro confessa que os escritos do Apóstolo Paulo são Escrituras Sagradas, mas não os relaciona e nem relacionada quais seriam os outros livros da Escritura.
A Referência mais antiga que se tem sobre o Cânon do NT se encontra em um manuscrito descoberto pelo sacerdote italiano Ludovico Antonio Muratori no século XVIII, datado do século II.
Por causa do nome de seu descobridor, este documento ficou conhecido como Cânon de Muratori.
Neste escrito estão relacinados os 4 Evangelhos, as cartas paulinas , a Epístola de Judas e I e II João e oApocalipse. Não são relacionadas as epístolas aos Hebreus, de Tiago e nem I e II Pedro.
Muitas controvérias existiram para se reconhecer o caráter canônico de livros como Hebreus, Tiago, Judas, Apolocalipse, II e III João e II Pedro. Por esta razão alguns estudiosos os chamam de Deuterocanônicos do NT.
Da mesma forma, outros livros já estiveram no cânon NT, porém depois foram rejeitados. É o caso da Primeira Carta de Clemente aos Coríntios (século I) e o Pastor de Hermas (século II). São os chamados antilegomena.
A lista completa dos livros do NT conforme existe hoje aparece pela primeira vez na Epístola 39 de Santo Atanásio de Alexandria para a Páscoa de 367 d.C.
Esta mesma lista foi confirmada por documentos posteriores como o Decreto Gelasiano, e os cânones dos concílios de Hipona,Cartago III e IV.
A definição oficial dos livros do Novo Testamento, realizado pela Igreja Católica, no século IV quando São Jerônimo realizou a compilação completa da bíblia, acabou com os questionamentos sobre a canonicidade dos livros Deuterocanônicos do Novo Testamento, questão esta que só reapareceria com o surgimento da Reforma Protestante, onde através do Concílio de Trento, no 1º Período (1545-48), a Igreja se viu obrigada a reafirmar através de decretos, o cânon sagrado do Novo Testamento também com os 27 livros que temos hoje.
Durante a Reforma Protestante, Martinho Lutero demonstrou dúvida quanto à autoria e canonicidade de alguns livros do Novo Testamento:
Hebreus, Tiago, Judas e o Apocalipse. No entanto sem maiores evidências da não autenticidade da mensagem, ao traduzir o Novo Testamento para o alemão em 1522, Lutero traduziu esses livros perfazendo ao todo 27 livros que temos hoje.
Bibliografia
LIMA, Alessandro. O Cânon Bíblico – A Origem da Lista dos Livros Sagrados. São José dos Campos-SP: Editora COMDEUS, 2007.
•           PASQUERO, Fedele. O Mundo da Bíblia, Autores Vários. São Paulo: Paulinas, 1986.
•           ROST, Leonard. Introdução aos Livros Apócrifos e Pseudo-Epígrafos do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1980.
•           SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Antigo Testamento Poliglota, hebraico, grego, português, inglês. São Paulo: Vida Nova, 2003.
Flaviano Amatulli Valente.”Diálogo con los Protestantes”. Navarrete. Apóstoles de la Palabra. 1983
Manuel de Tuya, José Salguero. “Introducción a la Biblia”, Tomo I Biblioteca de Autores Cristianos Madrid, 1967
Bob Stanley. “El Canon de la Escritura” Jl 12, 1999
(em inglês) New Advent Catholic Encyclopedia – African Synods
(em inglês) Schaff – The Code of Canons of the African Church A.D. 419
Referências:
Jump up ↑ (em inglês) Cross, F. L., ed. The Oxford dictionary of the Christian church. New York: Oxford University Press, 2005
Jump up ↑ (em italiano) Santi e Beati – Sant’ Aurelio di Cartagine, Vescovo
Jump up ↑ Bengt Hägglund. História da Teologia. Porto Alegre: Concórdia, 1995
Jump up ↑ (em italiano) Franca Ela Consolino. L’Adorabile Vescovo d’Ippona. Calábria: Rubbettino, 2001.
Jump up ↑ Bíblia Católica – Tradução da CNBB
Jump up ↑ A Bíblia Ortodoxa
Jump up ↑ (em inglês) New World Enciclopedia – “Apocrypha”
Jump up ↑ Denzinger 186 na nova numeração, 92 na antiga.
Jump up ↑ (em latim) Concilium Florentinum, Decretum pro Iacobitis: DH 1330-1331
Jump up ↑ (em latim) Concilium Tridentinum, Decretum de Canonicis Scripturis: Appendix

Fonte: Wikipedia

Os Mortos Vivos da Cracolândia – Uma análise realista do problema e AS SOLUÇÕES QUE JÁ DERAM CERTO MUNDO AFORA – Por que no Brasil não é pelo ao menos tentadas estas soluções ? Má vontade ou estratégia ideológica do caos Socialista ?



Estima-se que existam 2 milhões de brasileiros viciados em crack.
O Governo “apressou-se” em chamar essa realidade de epidemia.O vai e vem de mortos-vivos na chamada Cracolândia é de cortar o coração. Penso nas mães, nos pais, nos irmãos, nos filhos dessas pessoas.
Diante do número alarmante, no “país das Bolsas”, eis que foi criado o Cartão Recomeço, inevitavelmente apelidado de “bolsa crack”.
Em resumo: Não se trata de dar dinheiro ao viciado! O dependente é levado para uma clínica conveniada que recebe cerca de R$ 1.350,00 por mês do governo do Estado de São Paulo para investir em reabilitação.
Porém isto é paliativo, pois é como tentar eliminar todos os ovos existentes sem eliminar as galinhas. Mas, quero mesmo é focar nos números e vocês entenderão o por quê:
O vício no crack não atinge somente o dependente. Atinge em cheio a sua família e a sociedade como um todo. É sim uma questão de saúde pública, a saúde das famílias também é abalada. Sem falar nas finanças! O crack subtrai do país 2 milhões de cidadãos que poderiam estar no mercado de trabalho gerando riqueza e pagando seus impostos.
Conheço uma família afetada pelo crack. É pesado! O rapaz fez uma escolha errada em sua vida e agora sua vida não mais lhe pertence. Está doente, o crack decide tudo por ele.

O crack tem o condão de, num curto espaço de tempo, retirar da pessoa toda sua condição de humano. É claro que ela não perde a humanidade, mas distancia-se de toda sua existência humana, deixa de vivenciar toda possibilidade ampla de experiências inteligíveis e sensoriais para agarrar-se apenas a uma: a imediata catarse provocada pela droga quando tragada ,o chamado “barato”.

Segundo expressão usada por alguns usuários, é um “fiuim” finíssimo que se sente no cérebro ao tragar, muito curto e efêmero, mas cuja sensação se prolonga no espírito e provoca, com chamado constante, o retorno ao uso.


E, a partir deste, as sensações outras começam a ser esquecidas, as necessidades mais básicas, deixadas de lado e a vida própria, observada à distância.

É o “soma” do admirável mundo novo exponencialmente elevado, desligando a pessoa não apenas daquilo que lhe é ruim, mas de tudo o que forma o seu todo, seu mundo, sua consciência, seu ser.

A pessoa passa a agir não irracionalmente, mas numa dimensão pré-racional, pois ainda lhe restam dados de sua construção cultural, mas o todo de seu contexto é perdido. Seu mundo da vida é quebrado e sua existência, consequentemente, fragmentada.

A noção de vontade comumente definida, aproveitada pelo racionalismo que fundamenta um direito penal teoricamente pobre  é abandonada. O usuário não tem vontade, ele é movido por uma espécie de tropismo, que o dirige imperiosamente à droga.

Todavia, por manter aquela condição pré-racional e por guardar suas estruturas culturais básicas, ele ainda consegue se agregar, infelizmente motivado pelo movimento de consumo do entorpecente.



A Cracolândia — terra do crack,é o resultado dessa forma de associação

Uma sociedade de mortos-vivos reunidos em torno de dois polos de ação comum e determinada: O consumo do crack, e do outro lado, o poder central a permitir tal constituição: o fornecedor do crack.

Sempre digo que o traficante, como o político corrupto,é o assassino difuso que, diferentemente de outros homicidas, não mira suas vítimas:

Ele atira em todas as direções, sem nenhum parâmetro, sem preconceitos, sem medidas, sem restrições de qualquer ordem: crianças, idosos, brancos, negros, bonitos, feios, todos são seu alvo. E com a vantagem para ele de que, uma vez atingidos, tornam-se vítimas que se autoimolam e não recriminam seu algoz por isso. Ao contrário, o idolatram e protegem.


Que fazer contra isso? Como enfrentar um inimigo que se constituiu em uma sociedade dentro da sociedade, ainda com local definido, embora de fronteiras voláteis?

O problema é de saúde pública?
Sem dúvida, o usuário é dependente e como tal necessita de tratamento. Há incidências criminais? Sim, a Cracolândia vive do tráfico, há, portanto, traficantes, além de criminosos, que se escondem entre os usuários, estes mesmos autores de pequenos furtos e contravenções, até por necessidade.


E a questão social?
Gravíssima, a Cracolândia está se tornando berço de nascituros gerados no local, a serem amamentados com o leite do crack. Não menos importante, a questão urbana, dos esquecidos moradores do bairro, reféns das circunstâncias.

Soluções para a Cracolândia:
No centro de São Paulo há anos, a Cracolândia é mais um dos problemas cuja solução passará para as próximas gestões, pois a solução não é a curto prazo:



1)- O projeto Nova Luz, que vem sendo reformulado desde 2005, planeja atacar a situação a partir da reurbanização e reocupação dessa região e deve ser reescrito mais uma vez, já que o próximo prefeito, Fernando Haddad (PT), prometeu rever as desapropriações previstas.Entre outras ações, o Nova Luz pretende potencializar o comércio, ampliar áreas públicas destinadas a praças e ao convívio social e melhorar as condições de mobilidade e de infraestrutura, atraindo 15 mil moradores para o local.Ocupar o centro, com moradores e lojas, é uma das respostas de especialistas para resolver a Cracolândia. Segundo o arquiteto Marcos de Oliveira Costa, que estuda a revitalização de áreas deterioradas, cidades como Bogotá e Nova York conseguiram resolver o problema quando fizeram a população ocupar os locais dominados pelo consumo de drogas.
2)- Já o diretor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, Valter Caldana, ressaltou que é necessário investir ainda no pequeno comércio. “A reforma precisa compreender projetos que dão vida à área. Isso impede que ela volte a ser ‘terra de ninguém’.” E ainda: “Não basta reformar o espaço público, é de extrema importância fazer com que a Cracolândia adquira o status de local para estar, e não apenas passar.”
3)- Bogotá e Nova York. Há quase 15 anos, o que se via em Bogotá, no “Calle del Cartucho”, no bairro de Santa Inês, a poucas quadras na sede do governo, era um cenário de completo abandono. Usuários de drogas, principalmente cocaína, dividam as ruas e os cortiços da região com traficantes. A taxa de homicídios entre pessoas de 15 a 44 anos era quatro vezes maior do que no resto da capital colombiana e, dos cerca de 12 mil moradores, quase a metade – 5 mil – era de moradores de rua, segundo dados Câmara de Comércio de Bogotá.Iniciado em 1998 com o então prefeito Enrique Peñalosa, o plano Projeto Terceiro Milênio realizou uma série de medidas para a revitalização da área, sendo a maior delas a construção de um parque de 20 hectares, que ficou pronto em 2005. Tendo com objetivo principal a volta das pessoas para os espaços urbanos, Penãlosa fez um plano que tinha como diretrizes o aumento da oferta habitacional, de serviços públicos e do espaço comum. Até 2002, cerca de 270 km de ciclorrotas foram feitas, mais de 10 mil itens de mobiliário urbano foram instalados, 135 mil árvores foram plantadas e 1,6 milhões de km quadrados de espaços públicos, como calçadas e alamedas, foram construídos, resultando na total revitalização. Além disso, houve crescimento do comércio do bairro de San Victorino com a implantação de um centro de compras a céu aberto e aumento no número de moradores no bairro San Bernardo com a construção de moradias populares, ambos vizinhos ao parque.
4)- Porém, o exemplo mais famoso de reurbanização aconteceu nos anos 80 na ilha de Manhattan, região mais cara de Nova York, que sofria com um mercado de drogas no Bryant Park. Outro foco de criminalidade encontrava-se no bairro de Alphabet City, onde edifícios abandonados eram ocupados por dependentes e traficantes, o que lhes rendeu o nome de “crack houses” (casas de crack).A prefeitura de Nova York investiu em medidas para estimular o convívio social, como melhora de calçadas, construção de parques e instalação de equipamentos esportivos disponíveis 24 horas por dia. Além disso, a administração do ex-prefeito Rudolph Giuliani, no início dos anos 90, instaurou uma política de tolerância zero contra crimes, mesmo para os pequenos delitos, e fez uso da lei Rockefeller, criada em 1973, que estabelecia sentenças mínimas obrigatórias de 15 anos até a prisão perpétua por posse de cerca de 110 gramas de qualquer tipo de droga. As estatísticas são chocantes: em 1980, 27 mil pessoas foram presas por posse de drogas; em 1999, esse número subiu para 145 mil – um aumento de 430%.
5)- Para completar as iniciativas, drug courts, tribunais especializados em lidar com casos de posse de droga não-violentos, foram implantados. Fruto de uma parceria entre o Ministério Público, a polícia, a defensoria pública e organizações de educação e saúde, eles ofereciam a possibilidade de reduzir sentenças ou até cancelar a ficha criminal se eles concordassem em frequentar um programa de tratamento para dependentes químicos. Atualmente, a cidade conta com 161 desses tribunais.
6)- Exemplo português. Acredita-se que a Holanda é o país com as políticas mais permissivas em relação ao uso de drogas na Europa. Na verdade, esse país é Portugal. Em julho de 2011, o governo português decidiu descriminalizar o uso de todos os tipos de droga. O usuário fica, assim, livre da acusação de ter cometido um crime, embora traficantes e produtores de drogas continuem a ter de responder na Justiça.Quando um indivíduo é flagrado com pequenas quantidades de droga, ela é encaminhada a uma comissão formada por advogado, assistente social e psiquiatra, que decide se o usuário será multado, condenado à prestação de serviço comunitário ou encaminhado para tratamento.Aliado a isso, Portugal implantou a política de redução de danos, já utilizada na Holanda, Alemanha e Canadá. O governo fornece seringas descartáveis para usuários de drogas injetáveis. Um relatório do Instituto Cato de 2009 mostrou que o consumo de drogas caiu – entre jovens de 16 a 18 anos, a redução foi de 21,6%.
Para Rosana Schwarz, da equipe de governo de Haddad na área de Movimentos e Inclusão Sociais, afirma que o caso de Portugal é um exemplo a ser seguido. “A maior lição que devemos tirar dos portugueses é mudar o significado do que é ser um dependente químico. O usuário tem que ser tratado com doente, não como um criminoso.”
7)- Existe um conceito militar chamado inquietação.  Consiste de você negar o descanso ao inimigo.  Funciona assim:  “Imagina uma frente de combate.  Para impedir que seu inimigo descanse, durma, se alimente direito e tudo o mais, você mantém atividade na linha o tempo todo.  Você não vai avançar, mas faz com que seu inimigo ache que você vai avançar o tempo todo.  Assim os soldados do inimigo tendem a chegar a um estado de exaustão.”
A polícia também usa esse conceito.  Uma das primeiras coisas que eles fazem em situação de cerco é cortar água e luz.  Manter o bandido sob pressão.  
É comum vermos carros da polícia passando com sirene ligada o tempo todo nas proximidades do cerco.  Tudo isso visa minar a resistência mental do criminoso, provocar cansaço físico, impossibilitá-lo de dormir, levando-o a uma estafa e finalmente a rendição.
Por que não aplicá-los com os cracudos?  
“Essas pessoas tem muita vida mansa.  Ficam sossegadas dentro dos canteiros de obras, escondidas atrás do tapumes.  Ninguém os perturbam.  Assim, podem dormir, fazer suas necessidades, fumarem e tudo o mais.  Uma tática de inquietação contra eles seria interessante.”
Considere que, onde quer que eles se aglomerem, a polícia impeça essa aglomeração.  Recursos há para isso.  Basta a polícia expulsá-los e dispersa-los com meios não letais. Eles não teriam para onde ir.  Para onde forem, são expulsos, dispersados.  O tempo todo, dia após dia.  Não tem onde fumar, onde dormir, onde irem ao banheiro, onde parar.  Só podem fugir.  
O efeito será que os cracudos não terão sossego.  
Sem poderem consumir a droga em paz, sem poderem sequer descansar, tendo que fugir o tempo todo, sem nem poder dormir, muitos trocarão essa vida por uma confortável cama de abrigo de recuperação de drogados.    
Pode ser que alguns se animem a resistir, mas nesse caso o dano seria todo para o lado deles mesmos.Acho que seria uma ajuda e tanto para as assistentes sociais.  Receberiam cracudos exaustos, em busca de um sossego, coisa que elas terão a oferecer e poderão realizar seu trabalho.  
A polícia possui efetivo para isso, basta tirar um pouco das blitzes de IPVA (os policiais não ficarão exaustos, pois eles podem ser rendidos por outros).  
Como benefício secundário dispersaria as cracolândias, permitindo ver cada indivíduo que lá frequenta, e pegar os traficantes.  

Além de que, com eles dispersos e em fuga constante, ficaria muito mais difícil de comprarem ou venderem a droga.  
Porque não tentar?

 (Por Isabela Constance)

REVISTA VEJA: Uma década depois, Marcos Valério pode juntar as peças de um crime que assombra o PT – Promotores que investigaram a morte do prefeito Celso Daniel afirmam que o depoimento do operador do mensalão pode até resultar em novas denúncias.



Grifos do autor do blog BERAKASH: ” Pergunta que não cala: Por que é proibido falar e divulgar algo sobre a morte de Celso Daniel do PT ?…”
(Jean-Philip Struck – REVISTA VEJA)
“Ele pode ter sido condenado a 40 anos de prisão, pode estar desesperado, mas só vamos saber se o que ele disse ou pode dizer vale alguma coisa se formos ouvi-lo.”

Mais de uma década após o brutal assassinato do prefeito petista Celso Daniel em um episódio nebuloso, que até hoje assombra o PT, investigações relacionadas ao caso podem receber um “empurrão” graças ao empresário Marcos Valério, o operador do mensalão que foi condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Essa é a opinião do promotor Roberto Wider, responsável pela promotoria criminal de Santo André, para quem um novo depoimento de Valério pode ajudar a ligar “pontas soltas”, reforçar provas e responder perguntas em diversas investigações que foram conduzidas pelo Ministério Público na esteira da morte de Celso Daniel.
Edição de VEJA da semana passada mostra que Valério revelou em depoimento à Procuradoria-Geral da República que Ronan Maria Pinto, um empresário ligado ao antigo prefeito, estava chantageando o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para não envolver seu nome e o do ex-presidente Lula na morte de Celso Daniel. O teor exato da ameaça permanece uma incógnita. 
Empresário com diversos negócios na região do ABC paulista, Ronan é apontado pelo Ministério Público como um dos participantes do esquema de corrupção instalado em Santo André durante a administração de Celso Daniel. Já Carvalho ocupou, à época da administração de Celso Daniel, as secretarias de Comunicação e de Governo da prefeitura. De acordo com a reportagem, Valério disse que a cúpula petista pediu sua ajuda no episódio para ajudar a liquidar a fatura, mas ele não quis se envolver. O operador, no entanto, afirma que a chantagem foi paga. Agora, a promotoria quer entender melhor essa história. 
“Não tenho preconceito em ouvir o Valério. Ele pode ter sido condenado a 40 anos de prisão, pode estar desesperado, mas só vamos saber se o que ele disse ou pode dizer vale alguma coisa se formos ouvi-lo. Se chegarmos a Minas Gerais e ele não quiser falar, paciência. Pelo menos tentamos”, disse ao site de VEJA. 
Wider propôs as duas ações relacionadas ao caso que correm na Justiça. Uma delas é na esfera criminal, contra o bando que sequestrou e executou o prefeito e, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, apontado como mandante – e até hoje nunca julgado. A outra é uma ação de improbidade administrativa que corre paralelamente, proposta após as investigações do assassinato revelarem que um esquema de desvio de verbas havia sido instalado na administração de Celso Daniel. 
A promotoria afirma que Valério pode ajudar a reforçar esses processos e até mesmo sustentar a abertura de novas ações. Os resultados de um eventual depoimento de Valério no caso Celso Daniel só podem ser especulados, mas, segundo a promotoria, podem implicar ainda mais o PT e Gilberto Carvalho. 
Ações – Na ação de improbidade, tanto o ministro Carvalho quanto o PT são réus. A promotoria afirma que Carvalho atuava como “mensageiro” para levar o dinheiro desviado da prefeitura para o PT, que o usaria para financiar campanhas políticas. Ao todo, o Ministério Público pede que o PT, Carvalho, Ronan, outros quatro acusados e uma empresa devolvam cerca de 5,3 milhões de reais desviados dos cofres públicos.
Segundo Wider, o pagamento de chantagem apontado por Valério, se comprovado, reforçaria ainda mais o elo entre o partido e os desvios e poderia ser usado como prova no julgamento da ação. “Podemos até entrar com novas ações por desvios de recursos, caso venha a se mostrar que essa suposta chantagem foi paga com dinheiro público”, diz Wider.
Outra frente que pode ser aberta, segundo o promotor Wider, envolve o próprio Ronan Maria Pinto. Os promotores querem entender por que o jornal Diário do Grande ABC, de propriedade de Ronan e sediado em São Bernardo do Campo, recebeu tantos anúncios publicitários de estatais durante o governo Lula. Segundo a promotoria, investigações mostraram que entre janeiro e maio de 2005, o jornal de Pinto, cuja tiragem não passa de 40.000 exemplares por dia, recebeu de estatais valores em publicidade dignos dos maiores jornais do país, como a Folha de S.Paulo e O Globo, que têm uma circulação cerca de sete vezes superior. No período, por exemplo, A Caixa Econômica Federal pagou ao jornal R$ 1,3 milhão em anúncios. Já a Folharecebeu 565 000. A promotoria desconfiava que o alto volume de anúncios seguia a prática difundida em todo o país de ajudar donos de jornais amigos do governo. 
Agora, segundo o Ministério Público, graças ao que foi revelado por Valério nos últimos dias, a promotoria afirma que pode trabalhar com a hipótese de que os anúncios eram uma forma de camuflar o pagamento da chantagem feita por Pinto – o que pode dar um novo empurrão em uma eventual ação por crime de lavagem de dinheiro. A promotoria já havia tentado oferecer uma denúncia por lavagem de dinheiro em 2005, mas as investigações nunca avançaram. Há também a possibilidade do oferecimento de uma denúncia por crime de extorsão contra o PT e Gilberto Carvalho, caso a história de chantagem proceda.
“Queremos saber que tipo de chantagem era essa. Por que eles pagariam pelo silêncio?”, pergunta Wider. 
Valério nunca foi ouvido pelos promotores de Santo André
Em 2006, o Ministério Público fez uma tentativa, mas o depoimento nunca ocorreu porque o ex-ministro José Dirceu, que também havia sido intimado, entrou com uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir os depoimentos.
Com a negativa do STF, o assunto acabou sendo deixado de lado até agora.
Nesta semana, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, fez uma consulta formal à Procuradoria-Geral da República para receber detalhes do depoimento do operador do mensalão e avaliar se os promotores de Santo André podem convocá-lo para falar sobre Santo André. Resta saber quais seriam os novos segredos que Valério guarda.
O crime:
Um dos crimes políticos mais misteriosos do Brasil, digno de uma novela policial, a morte de Celso Daniel ainda está cercada de mistérios. À época do assassinato, as investigações da Polícia Civil apontaram se tratar de um crime comum, um sequestro que terminou mal.
A posição do PT sobre o assunto foi sempre dúbia. Petistas influentes cobraram publicamente empenho nas investigações, mas, nos bastidores, mostraram pouco interesse na resolução do caso.
Já o Ministério Público nunca aceitou a hipótese de que Daniel foi morto em um mero sequestro
Na denúncia criminal, a Promotoria sustenta que o prefeito foi morto por causa de um esquema de desvios de recursos que existia em sua gestão.
Segundo os promotores do caso, o dinheiro era desviado para o caixa dois do PT, com o conhecimento de Daniel.
O esquema funcionava bem até o prefeito descobrir que parte do dinheiro estaria sendo embolsado por outros envolvidos na trama. Entre eles estava o empresário e ex-segurança, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra.
Quando mostrou que não toleraria desvios para fins particulares, Daniel entrou na mira do empresário, que teria contratado um grupo para matá-lo em janeiro de 2002.
Celso Daniel acabaria sendo executado com oito tiros em janeiro de 2002, após ser sequestrado quando voltava de um jantar em São Paulo, justamente na companhia de Sérgio Sombra. O corpo do prefeito foi encontrado dois dias depois em Juquitiba, na região metropolitana da capital paulista – com sinais de tortura, segundo laudo do legista que o examinou. 
Julgamentos:
Até o momento, cinco réus foram julgados e condenados pelo crime. O réu Itamar Messias Silva dos Santos deveria ter sido julgado em maio mas, depois um adiamento, em agosto, seu caso ainda não foi a júri. Já Sérgio Gomes chegou a passar sete meses preso em 2003, mas também não foi julgado até hoje.
A defesa de Sérgio Gomes da Silva tem conseguido adiar o julgamento por meio de um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal contestando o poder do Ministério Público de conduzir investigações criminais. Caso o argumento seja aceito, o processo poderia ser arquivado ou as provas coletadas pelo MP seriam anuladas. A expectativa, no entanto, é que o STF aceite a investigação conduzida pela promotoria e que Gomes, enfim, possa ser julgado.
A Promotoria do júri responsável pela ação afirma que o julgamento deve acontecer no primeiro semestre do ano que vem. A data, porém, é incerta, já que previsões semelhantes também foram divulgadas nos últimos anos.
O advogado de Sérgio Gomes, o criminalista Roberto Podval, afirma que seu cliente é inocente e que as acusações pelo assassinato e pela participação nos desvios em Santo André não procedem.
A lentidão também ocorre com a ação de improbidade administrativa que tem o ministro Gilberto Carvalho e e PT como réus. A denúncia foi aceita pela Justiça em outubro de 2010, mas, até o momento, não existe previsão de julgamento. 
Gilberto Carvalho desdenhou das afirmações de Valério e disse que nunca ouviu falar de qualquer chantagem em Santo André.” Tenho até que respeitar o desespero dessa pessoa”, disse Carvalho sobre Valério.
Veja a matéria completa:

Revista Inglesa põe Cristo Redentor caindo na capa e critica economia do Brasil

Do UOL, Em São Paulo
A revista britânica “The Economist” voltou a estampar o Brasil na capa de sua edição para a América Latina e a Ásia. Com uma manipulação digital que mostra o Cristo Redentor afundando após um voo, a revista questiona:
“Será que o Brasil estragou tudo?”
A capa é uma referência da mesma revista, que, em 2009, mostrou o Cristo decolando como um foguete.
“Uma economia estagnada, um Estado inchado e protestos em massa significam que Dilma Rousseff deve mudar o rumo”, afirma a reportagem especial sobre o país.
A revista cita os protestos de junho, e se pergunta se a presidente Dilma Rousseff vai conseguir recolocar o país nos eixos. Além disso, pergunta se a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos vão ajudar a recuperação do Brasil ou simplesmente trazer mais dívidas.

‘Voo de galinha’
A revista relembra o cenário otimista há quatro anos: a economia tinha se estabilizado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990, e acelerado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no começo dos anos 2000; sentiu pouco o colapso do banco Lehman Brothers, em 2008; cresceu 7,5% em 2010; foi escolhida como sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas; e Lula ainda conseguiu eleger Dilma Rousseff como sua sucessora.
“Desde então, o país tropeçou e voltou à realidade”, diz. A reportagem cita o crescimento de 0,9% em 2012 e as manifestações que encheram as ruas do país em junho contra os altos custos de vida, a precariedade dos serviços públicos e a corrupção política.
“Muitos agora perderam a esperança de que seu país estava fadado ao sucesso e concluíram que foi apenas outro voo de galinha”, afirma a revista, usando a expressão em português.
Investimentos em infraestrutura ‘pequenos como biquíni fio-dental’
A revista afirma que muitas das políticas do ex-presidente Lula -“notavelmente o Bolsa Família”- são admiráveis.
“Porém, o Brasil fez muito pouco para melhorar seu governo nos anos de crescimento.”
A chance perdida não é exclusividade brasileira; aconteceu também com a Índia, segundo a reportagem.
No caso do Brasil, é pior, diz a “Economist”, porque a carga tributária é muito alta e pesa demais sobre as empresas, enquanto o governo “tem seus gastos prioritários de cabeça para baixo”.
Outro complicador, segundo a revista, é que, apesar de ser um país jovem, gasta demais com aposentadorias, e de menos com infraestrutura. “(…) apesar das dimensões continentais do país e péssimas conexões de transporte, os investimentos em infraestrutura são tão pequenos como um biquíni fio-dental”, diz.
‘Dilma interfere mais que pragmático Lula’
A revista faz, ainda, duras críticas à atuação da presidente Dilma Rousseff em relação a interferências do governo em assuntos privados. Segundo a revista, a atuação de Dilma teria afastado investidores dos projetos de infraestrutura.
“Esses problemas vêm se acumulando há gerações. Mas Rousseff não quis ou não conseguiu combatê-los, e criou novos problemas ao interferir muito mais do que o pragmático Lula.”
Em vez de assumir indicadores desfavoráveis, afirma a “Economist”, o governo lançou mão de “contabilidade criativa” e a dívida pública avançou para entre 60% e 70% do PIB. “Os mercados não confiam em Rousseff”, diz.
Luz no fim do túnel?
Segundo a revista, a solução para o país inclui, primeiramente, “redescobrir o apetite por reformas” e reestruturar os gastos públicos, especialmente com aposentadorias. Em segundo lugar, tornar os negócios brasileiros mais competitivos e encorajar investimentos, abrindo o mercado e expondo as empresas à competição mundial.
Em terceiro lugar, precisa urgente de uma reforma política, diz a revista, citando a multiplicação de partidos e os 39 Ministérios do governo.
“O Brasil não está condenado ao fracasso: se Rousseff colocar a mão no acelerador, ainda há uma chance de decolar novamente”, diz a “Economist”.

Brasil já foi o “queridinho” dos investidores

 

Em 2009, a mesma revista publicou uma capa especial sobre o Brasil. A imagem do Cristo Redentor voando simbolizou um momento de amadurecimento da economia do país.
A revista “The Economist” disse na época que o Brasil era “a maior história de sucesso na América Latina”.
A revista afirmava que o país deixava de ser uma promessa e começava a dar resultados, mas advertia que um dos riscos era  o excesso de confiança.
Em 2009, a “Economist” citou as descobertas de petróleo no pré-sal (águas profundas no litoral) e as exportações para países asiáticos como elementos que iriam estimular ainda mais o crescimento da economia brasileira nos próximos anos.
A previsão era que o Brasil seria a 5ª maior economia do mundo em 2015. 
Leia mais em: http://zip.net/bfk10c

Bento XVI escreve Carta ao matemático ateu: ”Caro Odifreddi, vou lhe contar quem foi o Jesus histórico…"



“Ilustríssimo Senhor Professor, a minha crítica ao seu livro, em parte, é dura. Mas a franqueza faz parte do diálogo; só assim o conhecimento pode crescer. O senhor foi muito franco e, assim, aceitará que eu também o seja.”
O papa emérito Bento XVIescreve uma carta ao matemático ateu italiano Piergiorgio Odifreddi sobre a fé, a ciência, o mal. Um diálogo à distância sobre o livro Caro papa, ti scrivo, de autoria de Odifreddi.
O cientista, por sua vez, relatou emoção e surpresa ao receber em sua casa a “inesperada carta” do ex-pontífice.
A carta foi publicada no jornal La Repubblica, 24-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto:
A íntegra da carta será publicada no próximo livro do matemático italiano. O jornal italiano publica uma parte da carta que pode ser lida a seguir.

Eis o texto:
“Ilustríssimo Senhor Professor Odifreddi, (…) gostaria de lhe agradecer por ter tentado até o último detalhe se confrontar com o meu livro e, assim, com a minha fé; é exatamente isso, em grande parte, que eu havia intencionado com o meu discurso à Cúria Romana por ocasião do Natal de 2009. Devo agradecer também pelo modo leal como tratou o meu texto, buscando sinceramente prestar-lhe justiça.
O meu julgamento acerca do seu livro, no seu conjunto, porém, é em si mesmo bastante contrastante. Eu li algumas partes dele com prazer e proveito. Em outras partes, ao invés, me admirei com uma certa agressividade e com a imprudência da argumentação. (…)
Várias vezes, o senhor me aponta que a teologia seria ficção científica. A esse respeito, eu me admiro que o senhor, no entanto, considere o meu livro digno de uma discussão tão detalhada.
Permita-me propor quatro pontos a respeito de tal questão:
1. É correto afirmar que “ciência”, no sentido mais estrito da palavra, só a matemática o é, enquanto eu aprendi com o senhor que, mesmo aqui, seria preciso distinguir ainda entre a aritmética e a geometria. Em todas as matérias específicas, a cientificidade, a cada vez, tem a sua própria forma, segundo a particularidade do seu objeto. O essencial é que ela aplique um método verificável, exclua a arbitrariedade e garanta a racionalidade nas respectivas modalidades diferentes.

2. O senhor deveria ao menos reconhecer que, no âmbito histórico e no do pensamento filosófico, a teologia produziu resultados duradouros.
3. Uma função importante da teologia é a de manter a religião ligada à razão, e a razão, à religião. Ambas as funções são de essencial importância para a humanidade. No meu diálogo com Habermas, mostrei que existem patologias da religião e – não menos perigosas – patologias da razão. Ambas precisam uma da outra, e mantê-las continuamente conectadas é uma importante tarefa da teologia.
4. A ficção científica existe, por outro lado, no âmbito de muitas ciências. Eu designaria o que o senhor expõe sobre as teorias acerca do início e do fim do mundo em Heisenberg, Schrödinger, etc., como ficção científica no bom sentido: são visões e antecipações para chegar a um verdadeiro conhecimento, mas são, justamente, apenas imaginações com as quais tentamos nos aproximar da realidade. Além disso, existe a ficção científica em grande estilo, exatamente dentro da teoria da evolução também. O gene egoísta de Richard Dawkins é um exemplo clássico de ficção científica. O grande Jacques Monod escreveu frases que ele mesmo deve ter inserido na sua obra seguramente apenas como ficção científica. Cito: “O surgimento dos vertebrados tetrápodes (…) justamente tem sua origem do fato de que um peixe primitivo ‘escolheu’ ir a explorar a terra, sobre a qual, porém, ele era incapaz de se deslocar, exceto saltitando desajeitadamente e criando, assim, como consequência de uma modificação do comportamento, a pressão seletiva graças à qual se desenvolveriam os membros robustos dos tetrápodes. Entre os descendentes desse audaz explorador, desse Magellan da evolução, alguns podem correr a uma velocidade de 70 quilômetros por hora…” (citado segundo a edição italiana de Il caso e la necessità, Milão, 2001, p. 117ss.).
Em todas as temáticas discutidas até agora, trata-se de um diálogo sério, para o qual eu – como já disse repetidamente – sou grato. As coisas são diferentes no capítulo sobre o sacerdote e a moral católica, e ainda diferentes nos capítulos sobre Jesus. Quanto ao que o senhor diz sobre o abuso moral de menores por parte de sacerdotes, eu só posso reconhecer – como o senhor sabe – com profunda consternação. Eu nunca tentei mascarar essas coisas. O fato de que o poder do mal penetra a tal ponto no mundo interior da fé é para nós um sofrimento que, por um lado, devemos suportar, enquanto, por outro, devemos, ao mesmo tempo, fazer todo o possível para que casos desse tipo não se repitam. Também não é motivo de conforto saber que, segundo as pesquisas dos sociólogos, a porcentagem dos sacerdotes réus desses crimes não é mais alta do que a presente em outras categorias profissionais semelhantes. Em todo caso, não se deveria apresentar ostensivamente esse desvio como se se tratasse de uma imundície específica do catolicismo.
Se não é lícito calar sobre o mal na Igreja, também não se deve silenciar, porém, sobre o grande rastro luminoso de bondade e de pureza, que a fé cristã traçou ao longo dos séculos. É preciso lembrar as figuras grandes e puras que a fé produziu – de Bento de Núrsia e a sua irmã Escolástica, Francisco e Clara de Assis, Teresa de Ávilae João da Cruz, aos grandes santos da caridade como Vicente de Paulo e Camilo de Lellis, até a Madre Teresa de Calcutá e as grandes e nobres figuras da Turim do século XIX. Também é verdade hoje que a fé leva muitas pessoas ao amor desinteressado, ao serviço pelos outros, à sinceridade e à justiça. (…)
O que o senhor diz sobre a figura de Jesus não é digno do seu nível científico.
Se o senhor põe a questão como se, no fundo, não soubesse nada de Jesus e como se d’Ele, como figura histórica, nada fosse verificável, então eu só posso lhe convidar de modo decidido a tornar-se um pouco mais competente do ponto de vista histórico. Recomendo-lhe, para isso, sobretudo os quatro volumes que Martin Hengel (exegeta da Faculdade de Teologia Protestante de Tübingen) publicou juntamente com Maria Schwemer: é um exemplo excelente de precisão histórica e de amplíssima informação histórica. Diante disso, o que o senhor diz sobre Jesus é um falar imprudente que não deveria repetir. O fato de que na exegese também foram escritas muitas coisas de escassa seriedade é, infelizmente, um fato indiscutível. O seminário norte-americano sobre Jesus que o senhor cita nas páginas 105ss. só confirma mais uma vez o que Albert Schweitzer havia notado a respeito da Leben-Jesu-Forschung (Pesquisa sobre a vida de Jesus), isto é, que o chamado “Jesus histórico” é, em grande parte, o espelho das ideias dos autores. Tais formas mal sucedidas de trabalho histórico, porém, não comprometem, de fato, a importância da pesquisa histórica séria, que nos levou a conhecimentos verdadeiros e seguros sobre o anúncio e a figura de Jesus.
(…) Além disso, devo rejeitar com força a sua afirmação (p. 126) segundo a qual eu teria apresentado a exegese histórico-crítica como um instrumento do anticristo. Tratando o relato das tentações de Jesus, apenas retomei a tese de Soloviev, segundo a qual a exegese histórico-crítica também pode ser usada pelo anticristo – o que é um fato incontestável. Ao mesmo tempo, porém, sempre – e em particular no prefácio ao primeiro volume do meu livro sobre Jesus de Nazaré – eu esclareci de modo evidente que a exegese histórico-crítica é necessária para uma fé que não propõe mitos com imagens históricas, mas reivindica uma historicidade verdadeira e, por isso, deve apresentar a realidade histórica das suas afirmações de modo científico também. Por isso, também não é correto que o senhor diga que eu estaria interessado somente na meta-história: muito pelo contrário, todos os meus esforços têm o objetivo de mostrar que o Jesus descrito nos Evangelhos também é o Jesus histórico real; que se trata de história realmente ocorrida. (…)
Com o 19º capítulo do seu livro, voltamos aos aspectos positivos do seu diálogo com o meu pensamento:
(…) Mesmo que a sua interpretação de João 1, 1 seja muito distante da que o evangelista pretendia dizer, existe, no entanto, uma convergência que é importante. Se o senhor, porém, quer substituir Deus por “A Natureza”, resta a questão: quem ou o que é essa natureza. Em nenhum lugar, o senhor a define e, assim, ela parece ser uma divindade irracional que não explica nada. Mas eu gostaria, acima de tudo, de fazer notar ainda que, na sua religião da matemática, três temas fundamentais da existência humana continuam não considerados: a liberdade, o amor e o mal. Admiro-me que o senhor, com uma única referência, liquide a liberdade que, contudo, foi e é o valor fundamental da época moderna. O amor, no seu livro, não aparece, e também não há nenhuma informação sobre o mal. Independentemente do que a neurobiologia diga ou não diga sobre a liberdade, no drama real da nossa história ela está presente como realidade determinante e deve ser levada em consideração.
Mas a sua religião matemática não conhece nenhuma informação sobre o mal. Uma religião que ignore essas questões fundamentais permanece vazia.

Ilustríssimo Senhor Professor, a minha crítica ao seu livro, em parte, é dura. Mas a franqueza faz parte do diálogo; só assim o conhecimento pode crescer.
O senhor foi muito franco e, assim, aceitará que eu também o seja. Em todo caso, porém, avalio muito positivamente o fato de que o senhor, através do seu contínuo confronto com a minha Introdução ao cristianismo, tenha buscado um diálogo tão aberto com a fé da Igreja Católica e que, apesar de todos os contrastes, no âmbito central, não faltem totalmente as convergências.
Com cordiais saudações e com todos os melhores votos para o seu trabalho”

O Papa fala que a coisa mais importante neste tempo da Igreja é curar as feridas – Entrevista a Dom João Carlos Petrini, presidente da Comissão Episcopal Pastoral da Vida e Família da CNBB


Por Thácio Lincon Soares de Siqueira – Zenit
Depois da entrevista concedida à revista dos jesuítas La Civiltá Cattolica, e publicada no dia 16 desse mês, ZENIT entrevistou o Presidente da Comissão Episcopal Pastoral da Vida e Família da CNBB, Dom João Carlos Petrini.
Dom Petrini, também bispo de Camaçari, compartilhou com os nossos leitores algumas das suas impressões a respeito de temas que o Pontífice vem repetindo desde que assumiu a Sede de Pedro.
Acompanhe a entrevista na íntegra:

1)- ZENIT: Como você interpreta os temas que a mídia veio polemizando e que o Papa tratou na sua recente entrevista à Civilta Cattolica? Por acaso, o Papa está falando que agora é certo o que antes era condenado como errado na Igreja?
Dom Petrini: O Papa Francisco apresenta de maneira nova a grande tradição da Igreja. Nesse sentido, O Papa recorda aos membros da Igreja e aos homens e às mulheres que buscam caminhos de luz e de paz na vida pessoal e social que existe Algo que vem antes de qualquer julgamento moral, antes de dizer se uma atitude é certa ou errada.
O que vem antes é o olhar de Jesus Cristo, pronto para acolher e perdoar, se apenas encontra uma abertura do coração. Um exemplo disso é o olhar de misericórdia sobre Zaqueu, que era o chefe da máfia da época, mas procurava ver Jesus. E Jesus não se apressou a condena-lo pelas suas atitudes reprováveis. Antes, lhe disse: “Desce depressa porque hoje quero ir à tua casa”. E Zaqueu, depois do encontro com Jesus começou a mudar de vida, como o próprio evangelho comenta. (Lucas, 19, 1-10).
O Papa fala que a coisa mais importante é “curar as feridas e aquecer os corações dos fieis, a proximidade”.

Esta atitude corresponde ao modo como Jesus se comportava. Por isso, havia fariseus que reclamavam porque ele frequentava a casa dos pecadores e tomava as refeições com eles!
Esta atitude que acolhe, ampara, derrama óleo sobre as feridas, como fez o bom samaritano quando viu um homem caído na beira da estrada, é o que vem antes de qualquer juízo moral. Na medida em que a pessoa, tocada dessa maneira por Jesus Cristo, se dá conta do que está acontecendo, se liga e procura corresponder ao afeto que a abraça.
O Papa não quer substituir juízos negativos sobre certas atitudes com juízos positivos, não quer dizer agora que está certo o que a Igreja, há séculos, vem dizendo que está errado. Ele chama a nossa atenção sobre uma postura parecida com a atitude de Jesus para enfrentar os dramas humanos: antes acolher e amar, deter-se naquilo que vem antes de qualquer juízo: antes vem Jesus, seu olhar de misericórdia, sua ternura que acolhe e procura curar as feridas.  
2)- ZENIT: Como é possível isso?
Dom Petrini: O que mais o Papa pede aos membros da Igreja é que encontrem as pessoas com o mesmo coração e com o mesmo olhar com o qual Jesus encontrava as pessoas do seu tempo. Ele acolhia sem restrições a todos, inclusive aos piores pecadores. Somente condenava com dureza os hipócritas, isto é, aqueles que encobriam com uma casca de falsidade, de pura aparência, suas atitudes reprováveis, procurando fazer passar por justiça o que era injusto. Mas, a quem se apresentava com simplicidade, com um coração pobre, isto é, sem nada a defender, Jesus dava o perdão e a possibilidade de uma vida nova. Por isso, Jesus é reconhecido como “o Salvador”, Aquele que pode salvar o homem e a mulher do nosso tempo da insensatez, do vazio, da solidão, do desespero.
3)-ZENIT: O sobre as mulheres?
Dom Petrini:      As mulheres tiveram uma participação muito relevante na história de Jesus, a começar por Maria que aceitou ser mãe do Filho de Deus. Mas muitas mulheres acompanhavam Jesus durante os anos de sua vida pública. E a história da Igreja está repleta de grandes mulheres que realizaram obras admiráveis, reformaram congregações, persuadiram Papas a tomarem atitudes mais corajosas. Até mesmo na Idade Media tão maltratada como idade de trevas, brilharam muitas mulheres como estrelas de primeira grandeza. O Papa Francisco, já na viagem de retorno do Rio de Janeiro a Roma, tinha se referido a elas recomendando que seja aprofundado o conhecimento dessa realidade e que se estude mais a teologia da mulher. Isto já é uma grande novidade que poderá abrir novas possibilidades de integração das mulheres na vida da Igreja. É bom ficarmos com as palavras do Papa, sem querer forçar para atribuir a ele outras intenções.
4)- ZENIT: Para o Papa o que é mais importante para a Igreja nesse momento?
Dom Petrini: O Papa fala do nosso mundo, tão desenvolvido com suas tecnologias sedutoras que resolvem muitos problemas do quotidiano é, ao mesmo tempo, um mundo de sofrimentos, de violências, de solidão. E o pior é que todos estão tão atarefados em correr atrás de suas fantasias de felicidade que os dramas humanos dos quais dificilmente alguém escapa, essas dores são ignoradas, essas solidões não são vistas. O mundo, diz o Papa, se parece com um hospital de campo depois de uma batalha. Depois da batalha de cada dia, muitos ambientes de vida são parecidos a um hospital de campo, cheios de feridos. O Papa, dirigindo-se aos católicos diz: não percam tempo a verificar o colesterol ou a glicose no sangue. O momento apresenta outra urgência: cuidar das feridas. Por isso, é importante – e ele deve ter repetido essa idéia uma dúzia de vezes – acolher, cuidar, acompanhar, mostrar nossa proximidade humana, sair de casa para ficar perto dessas pessoas que sofrem e anunciar-lhes que Alguém as ama, mais do que pai e mãe. Depois, não faltarão oportunidades para cuidar de outras questões.
 
Quero terminar repetindo algumas palavras dessa importante entrevista do Papa: 
“Os ministros do Evangelho devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com eles, de saber dialogar e também descer em sua noite, na sua escuridão, sem perder-se.”
Fonte: Zenit